AERONÁUTICA INVESTIGOU OFICIALMENTE OS OVNIS

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Em 1969, um grupo de altas patentes da FAB – Força Aérea Brasileira criou, dentro do IV COMAR (Comando Aéreo Regional), no bairro do Cambuci, em São Paulo, o primeiro órgão nacional e oficial para a pesquisa de fatos relativos à Ufologia: a CIOANI – Central de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados. A equipe de militares começou as investigações em 1968, antes de oficializar a Central no ano seguinte.

A sede operacional da Central funcionava na Praça Prof. Oswaldo de Vincenzo, nº 200, e o órgão era comandado administrativamente pelo Major-brigadeiro José Vaz da Silva. Muitas ocorrências de pousos, avistamentos de OVNIs e seus tripulantes, além de fotografias de supostos discos voadores, foram pesquisadas na época pelo Major Gilberto Zani de Mello e pelo Tenente João Edney Carvalho Ribeiro, que estiveram pessoalmente na maioria dos casos investigados. O Major Zani, como era conhecido, recolheu metamateriais de OVNIs no Rio de Janeiro e outras cidades e encaminhou para São José dos Campos, no interior do estado de São Paulo.

Logo em março daquele mesmo ano, foi lançado o primeiro boletim informativo do SIOANI (SIOANI era o sistema da Central), com 22 páginas. O documento era restrito aos integrantes do órgão e esboçava o estatuto e as diretrizes daquela entidade. Segundo o boletim, o conceito do sistema era: “É o conjunto de recursos de pessoal e de material, destinado à investigação e pesquisa científica do fenômeno Objeto Aéreo Não Identificado”.

No segundo Boletim SIOANI, com 30 páginas, publicado em agosto, há descrições completas de dezenas de casos de vários graus de contato, além de análises profundas. Neste segundo boletim, foram relatados 58 casos acontecidos no Brasil, sendo que a maioria teve como palco o interior de São Paulo.

É fato conhecido que, no ano de 1972, as atividades da CIOANI foram encerradas, e muito já se discutiu sobre o porquê deste fechamento. Alguns ufólogos especulam que isso se deu pela mudança de governo no país. Outros acreditam que houve um desinteresse na continuidade do órgão dentro do IV COMAR e que o material teria sido encaminhado para a 4ª Subchefia, em Brasília – DF.

Há alguns anos, os ufólogos Claudeir Covo (INFA) e Osmar de Freitas (GEONI) visitaram o IV COMAR e receberam a informação de que todo o material teria sido enviado para o comando em Brasília. Eu também estive lá acompanhado do Osmar de Freitas.

Brigadeiro José Vaz da Silva, idealizador da CIOANI Fonte: Internet

A BUSCA PELOS DOCUMENTOS OFICIAIS

Entre os anos de 1997 e 2004, estive no IV COMAR, em São Paulo, e por três vezes, no ano de 2004, no COMDABRA – Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (atual COMAE), em Brasília. Pude constatar que, de fato, não havia nenhum documento ou relatório que pudesse evidenciar essa transferência do material da CIOANI. Esse fato me intrigava muito, porém não desisti de procurar… Durante minhas visitas àquela instituição militar, pude ver vários documentos e tomei conhecimento de vários casos interessantes, além de ver o sistema informatizado de catalogação dos casos ufológicos, mas nada relacionado ao tema.

Em 18 de dezembro de 1997, tive a satisfação de conhecer pessoalmente o Major Zani, que foi o chefe operacional do órgão. Na ocasião, aprendi muito e tirei algumas dúvidas sobre a CIOANI. Posteriormente, falei com o Tenente Carvalho e aprendi mais um pouco sobre como e por que eram feitas as análises psiquiátricas nas testemunhas.

Todavia, onde estariam esses documentos registrados pelos militares e que continham casos de grande envergadura?

Mais alguns anos se passaram e, com as informações repassadas pelo Major Zani, conheci outro militar de inteligência, Acassil José de Oliveira Camargo e vi pela primeira vez os documentos originais. Assim, soube que a CIOANI encerrou as atividades por causa da troca de comando, pois o novo brigadeiro (que substituiu o Brig. Vaz) não tinha muita simpatia pelo assunto ufológico. Na época, o Brig. Vaz solicitou a um militar que levasse todo o material para sua residência no interior de São Paulo no intuito de preservá-lo, pois julgava o assunto muito importante para ser colocado de lado.

Esse militar me passou este material riquíssimo e hoje tenho 66% do acervo, sendo parte dele constituída de originais. Desde então, estou analisando o material e revendo IN LOCO vários casos pesquisados. Fiz uma abordagem histórica do assunto, com três casos de pousos na cidade de Ibiúna, em um livro que escrevi em 2016 para enaltecer o trabalho da nossa Força Aérea Brasileira, que fez um ótimo trabalho na época. Assim, acredito que preservarei esta memória onde está registrado o início da pesquisa militar de discos voadores no Brasil. Pretendo escrever outras obras a respeito destes casos pesquisados e do material de pesquisa militar.

UFÓLOGO MINEIRO PARTICIPOU DA CIOANI

A CIOANI contou com a participação de vários militares e civis que atuavam como representantes em várias partes do país e colaboravam com o envio de ocorrências. Para a época da ditadura militar, reflito hoje que foi uma abertura muito positiva.

Assim, ufólogos como, por exemplo, Antônio Pedro de Souza Faleiro, registrado como IOANI (Investigador de Objetos Aéreos Não Identificados) nº 12, e seu pai, Antônio Souza Faleiro (IOANI nº 11), colaboraram enviando seus relatórios de ocorrências acontecidas na cidade de Passa Tempo, em Minas Gerais. Em meus arquivos, possuo esses relatórios originais desses dois conceituados pesquisadores, que serão divulgados em um artigo posteriormente.

Vários casos clássicos constam nos boletins do SIOANI, como, por exemplo, o Caso Maria Cintra, o Caso Tiago Machado, dentre outros. Muitos casos pesquisados pela Central não estão nos boletins editados pelo órgão.

PALESTRA SOBRE A CIOANI EM AGOSTO DE 2007

Fui convidado pelo Grupo Giordano Bruno e ministrei a palestra “A Pesquisa Ufológica Oficial Documentada pela FAB” durante o 5º Encontro Ufológico, realizado no dia 19 de agosto de 2007, em São Paulo. À partir deste ano compartilhei este material e informações sobre a CIOANI com vários civis e militares.

Atualmente, estou buscando investimentos para viabilizar um museu ufológico em São Paulo, onde depositaremos estes documentos e outros materiais ufológicos para que um número maior de interessados tenha acesso as pesquisas empreendidas pelos militares naquela época.

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