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“Eles vieram procurar o filho perdido”: moradora de Varginha relata avistamento de nave discoidal em janeiro de 1996

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Testemunho inédito de Taís Zacaroni, que presenciou o fenômeno aos 6 anos no bairro Monte Serrat, soma-se a dezenas de relatos de moradores que afirmam ter visto objetos voadores não identificados sobrevoarem a cidade mineira no mesmo período.

Era uma noite quente de final de janeiro de 1996. No bairro Monte Serrat, um dos mais antigos de Varginha, no sul de Minas Gerais, uma família aproveitava o quintal para escapar do calor. Taís Zacaroni tinha entre seis e sete anos na época. Brincava com as filhas dos donos da casa onde morava com os pais, em uma moradia de fundo, quando o pai olhou para o céu e disse: “Nossa, olha lá no céu”. O que se seguiu marcaria para sempre a memória da família. “Ele veio vindo numa distância bem próxima. Apareceu longe e foi se aproximando, numa altura de um prédio, pouco mais alto que um prédio”, relata Thaís, em entrevista concedida ao pesquisador e jornalista Marco Aurelio Leal, que esteve recentemente em Varginha para conversar com moradores e reconstituir os acontecimentos de 1996. Durante a conversa, Thaís conduziu o pesquisador até o local exato dos fatos, quase 30 anos depois.

A descrição fornecida por Thaís é detalhada e coincide com o estereótipo clássico de um disco voador. Segundo ela, o objeto tinha formato oval, discoidal, com uma cúpula na parte superior que permanecia iluminada “como se tivesse uma luz acesa lá dentro, de dentro para fora”. Na parte inferior, uma série de luzes coloridas — vermelho, amarelo e outras tonalidades — girava continuamente no sentido horário, formando um efeito que ela descreve como “um arco-íris rodando”. A cor do corpo da nave era um tom grafite, meio cinza, meio chumbo. Thaís estima que o objeto teria capacidade para aproximadamente dez pessoas, menor do que as representações cinematográficas costumam sugerir. “A gente vê no filme aquelas naves imensas, mas não era tão grande assim”, explica.

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Taís mostrando o local do avistamento em 1996

O padrão de voo descrito por Taís é um dos aspectos mais intrigantes do relato. O objeto aproximava-se girando lentamente, percorria uma trajetória que ia do sentido Lagamar, atravessava o Monte Serrat em direção à região do Córrego — então uma mata fechada, sem bairros — e, em um certo ponto, desaparecia completamente. Após questão de segundos, reaparecia no mesmo ponto de origem e repetia o trajeto. “Ele vinha rodando, rodando, e pegava uma distância e vinha rodando até um certo ponto. Nesse certo ponto, ele sumia. E dali, questão de segundos, ele aparecia no mesmo ponto. Ele chegou a fazer isso umas três, quatro vezes.” A família questionou na própria hora se o objeto estaria “apagando as luzes” e voltando ao ponto de partida. A velocidade do deslocamento, porém, era lenta, o que tornava a hipótese de um deslocamento à velocidade da luz improvável. “Ele vinha bem devagar. Não vinha correndo”, recorda Thaís.

Um detalhe que chama atenção é o comportamento sonoro do objeto. Ao se aproximar, a nave emitiu um barulho semelhante ao vento, comparável ao ruído de um avião em processo de pouso. Durante o período em que permaneceu sobrevoando — aproximadamente oito minutos, segundo a estimativa da testemunha —, o objeto tornou-se completamente silencioso. “Foi bem no início que apareceu. Depois não. Durante esse movimento em que ela estava circulando, era bem silenciosa. Barulho de nada.”

Durante uma das desaparições do objeto, o pai de Thaís pediu que ela fosse chamar a irmã, que já dormia dentro de casa. Taís pegou o braço da amiga e as duas correram para dentro. “Vem cá para você ver, tem o disco do ET lá”, disse à irmã, já que na época todo mundo comentava sobre a suposta queda de um ser extraterrestre na cidade. Quando retornaram ao quintal, cerca de três minutos depois, o objeto já havia desaparecido definitivamente. Os pais relataram que ele “sumiu do mesmo jeito que apareceu”. A reação da família foi de pânico total. Thaís dormiu naquela noite com os pais. O medo se prolongou por semanas. “Quando começava a escurecer, a gente entrava para dentro porque tinha medo”, lembra. O pai, segundo ela, evitava comentar o episódio para preservar as crianças, mas a família acabou se mudando do endereço pouco tempo depois. O comentário que marcou Thaís foi feito pelo pai logo após o avistamento: “O ET, eles vieram procurar o ET que caiu, o ET que tá perdido”. Na ingenuidade da infância, Taís associou a nave à família do suposto ser que teria caído na Vila Floresta, conforme os boatos que circulavam na cidade.

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Taís relatando o avistamento.

O depoimento de Taís não é isolado. Na mesma época, uma família que residia apenas duas ruas acima — na Rua Doutor Benevenuto Brás Vieira, exatamente o local onde fica o terreno baldio em que três moradoras de Varginha relataram ter visto o extraterrestre — descreveu o mesmo padrão de comportamento do objeto: cúpula parada e luzes girando na parte inferior. A proximidade entre os dois pontos é notável e sugere que o fenômeno sobrevoou uma área bastante delimitada do bairro Monte Serrat naquela noite. Esses testemunhos foram integrados ao documentário “Moment of Contact: New Revelations of Alien Encounters”, dirigido pelo cineasta norte-americano James Fox, que viajou a Varginha para ouvir moradores e reconstituir os acontecimentos de 1996. O filme, disponível em Apple TV, Tubi e Google Play, no brasil pode se alugar e comprar pelo próprio Youtube. Reúne depoimentos de testemunhas que não se conheciam entre si, mas cujos relatos apresentam coincidências significativas.

Os avistamentos não se limitaram ao sul de Minas. Em 3 de abril de 1996, na cidade de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, um garoto que tentava filmar a lua da sacada de seu apartamento acabou captando um objeto em formato de disco que surgiu no enquadramento. O registro, amplamente discutido em fóruns de ufologia, é citado como evidência complementar aos depoimentos de moradores de Varginha e reforça a tese de que fenômenos similares ocorreram em diferentes estados brasileiros durante o mesmo período.

Taís conta que o episódio ficou “apagado” em sua memória por um tempo, em parte porque o pai evitava comentar o assunto. Foi ao conversar com um amigo, anos depois, que as lembranças voltaram à tona com força total. Hoje, ela vê a experiência com um misto de fascínio e gratidão. “Acho que fui privilegiada de ver. É uma história incrível que às vezes conto para muita gente e muita gente não vai acreditar, mas eu sei o que eu vi.” A mãe de Thaís, que tinha pouco mais de 30 anos na época, também possui memórias vívidas do evento e deverá fornecer um depoimento em áudio com detalhes adicionais. Thaís acredita que a mãe poderá fornecer uma riqueza maior de informações, especialmente sobre a existência ou não de janelas na nave e possíveis blackout na região — algo que ela não recorda ter ocorrido naquela noite específica.

O Caso Varginha, como ficou conhecido, refere-se a uma série de eventos relatados em 1996, quando moradores afirmaram ter visto uma ou mais criaturas de aparência não humana e pelo menos um objeto voador não identificado. O caso atraiu atenção nacional e internacional, com relatos de movimentação militar na região e investigações conduzidas por ufólogos de diversos países. O incidente envolve múltiplas testemunhas que descreveram seres de aproximadamente 1,20 metro, com pele oleosa marrom, cabeça grande e olhos vermelhos. Quase três décadas depois, os depoimentos continuam surgindo. Pessoas que nunca haviam falado publicamente — como Thaís, que concedeu sua primeira entrevista sobre o tema ao pesquisador Marco Aurelio Leal — começam a compartilhar experiências que guardaram em silêncio por anos. “Só quem viu acredita que existe”, conclui Taís. “Quem não viu, não acredita.

Confira e entrevista completa com a moradora Taís no vídeo abaixo:

https://youtu.be/0Xsdp17zQpI

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Autor

  • Marco Leal

    Marco Aurélio Leal é produtor audiovisual e investigador jornalístico de campo, especializado na documentação de casos ufológicos. Foi produtor do documentário Moment of Contact – Caso Varginha (2022), dirigido por James Fox, e também atua na produção da continuação do projeto, Moment of Contact New Revelations of Alien encounters (2025).

    Contribuiu para diversas produções televisivas, incluindo a série De Carona com os OVNIs (History Channel), Não Identificado: A Busca pelo Contato (Discovery Channel) e Chasing UFOs (National Geographic) . Seu trabalho é marcado pela pesquisa de campo, realizando expedições pelo Brasil e pelo exterior para registrar depoimentos e coletar informações sobre fenômenos ufológicos.

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