NOVA DIVULGAÇÃO DO GOVERNO DOS ESTADOS UNIDOS REÚNE 71 ARQUIVOS, INCLUINDO DOCUMENTOS DO PROJETO BLUE BOOK, VÍDEOS MILITARES RECENTES E MATERIAL PRODUZIDO POR UM PROGRAMA DA AGÊNCIA DE INTELIGÊNCIA DE DEFESA QUE INVESTIGOU CONCEITOS COMO BURACOS DE MINHOCA, ANTI-GRAVIDADE E PROPULSÃO DE DOBRA ESPACIAL
O governo dos Estados Unidos divulgou nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2026, o sexto lote de documentos relacionados aos chamados Fenômenos Aéreos Não Identificados (UAPs) — conhecidos popularmente como OVNIs.
A nova liberação reúne documentos históricos, relatórios militares, imagens, vídeos e uma gravação de áudio que remonta a uma das fases mais conhecidas da investigação oficial de OVNIs nos Estados Unidos.
O material faz parte do Presidential Unsealing and Reporting System for UAP Encounters (PURSUE *acesse aqui o arquivo*), programa criado para localizar, revisar, desclassificar e disponibilizar registros governamentais relacionados aos UAPs. O governo afirma que novos arquivos continuarão sendo publicados à medida que forem localizados e liberados.
Ao todo, o sexto lote reúne 71 arquivos: 67 provenientes do Departamento de Defesa e quatro encaminhados por autoridades policiais locais do Colorado. O conjunto contém documentos PDF, vídeos e um arquivo de áudio. Grande parte dos documentos ainda apresenta trechos censurados.
As datas dos materiais abrangem um período de mais de sete décadas, indo de 1952 a 2025.
Mas entre os arquivos há um conjunto particularmente intrigante: documentos relacionados ao antigo Advanced Aerospace Weapon System Applications Program (AAWSAP), iniciativa criada pela Agência de Inteligência de Defesa (DIA) em 2008.
UM PROGRAMA MILITAR PARA INVESTIGAR TECNOLOGIAS “IMPOSSÍVEIS”?
O AAWSAP foi criado com o objetivo de estudar possíveis ameaças e tecnologias aeroespaciais avançadas para as décadas seguintes.
O programa funcionou entre 2008 e 2012.
Entre os documentos agora disponibilizados estão 37 Defense Intelligence Reference Documents (DIRDs) produzidos no âmbito da iniciativa.
Os assuntos abordados parecem ter saído diretamente de uma história de ficção científica poi sabordam temas como propulsão de dobra espacial, buracos de minhoca, anti-gravidade, propulsão por massa negativa, materiais avançados, camuflagem e invisibilidade e tecnologias aeroespaciais consideradas disruptivas.
A existência desses estudos, porém, precisa ser interpretada corretamente.
Os documentos não significam que o governo dos Estados Unidos tenha desenvolvido ou confirmado essas tecnologias.
As próprias observações que acompanham os arquivos afirmam que os DIRDs eram documentos de referência e síntese, e não pesquisas originais. Também deixam claro que sua existência não deve ser interpretada como uma validação atual dos conceitos estudados.
Em outras palavras: o governo financiou estudos para compreender determinadas possibilidades tecnológicas — isso não significa que essas possibilidades tenham sido demonstradas na prática.
O QUE O AAWSAP REALMENTE ESTAVA TENTANDO ENTENDER?
Um dos documentos descreve o objetivo do programa como a compreensão da física e da engenharia de aplicações aeroespaciais avançadas, especialmente aquelas que poderiam representar ameaças tecnológicas estrangeiras nas décadas seguintes.
A preocupação oficial estava relacionada ao futuro da tecnologia militar.
Mas a amplitude dos assuntos investigados acabou criando uma conexão inevitável com algumas das questões mais controversas da ufologia.
Se conceitos como dobra espacial, buracos de minhoca ou anti-gravidade eram considerados suficientemente relevantes para receber estudos financiados por uma agência de inteligência, surge uma pergunta natural:
o que exatamente motivou a escolha desses temas?
Os documentos, por si só, não respondem que alguma tecnologia extraterrestre tenha sido encontrada.
Eles demonstram, entretanto, que esses conceitos foram considerados dignos de análise dentro de um programa de inteligência voltado a possíveis ameaças aeroespaciais futuras.
UM DOS DOCUMENTOS MAIS ESTRANHOS: EFEITOS SOBRE O CORPO HUMANO
Entre os 37 documentos existe um estudo de aproximadamente 38 páginas, produzido em 2010, dedicado a possíveis efeitos biológicos provocados por sistemas aeroespaciais anômalos avançados.
O documento analisa relatos de três pessoas descritas como anteriormente saudáveis e ativas que teriam passado por eventos considerados anômalos.
Os casos envolveriam sintomas físicos posteriores, incluindo calor e vermelhidão na pele , como tambem perda de cabelo, sinais descritos como compatíveis com doença por radiação em um dos casos, e alterações médicas desenvolvidas posteriormente.
Os três indivíduos eram identificados no estudo como engenheiros de antenas. O documento comparou esses episódios com dezenas de casos conhecidos de exposição convencional a radiofrequência.
Mas existe uma diferença fundamental:a fonte da exposição nos três casos analisados não foi identificada.
O estudo, portanto, não demonstra que os indivíduos tenham sido feridos por uma nave extraterrestre.
O que ele registra é que os pesquisadores consideraram os acontecimentos suficientemente incomuns para serem analisados dentro do contexto de possíveis sistemas aeroespaciais avançados.
“ALGUNS SISTEMAS AVANÇADOS JÁ ESTÃO IMPLANTADOS”?
A conclusão do documento é uma das passagens que mais chamam atenção.
O autor afirma que existiam relatos e informações médicas suficientes para sustentar a hipótese de que alguns sistemas avançados poderiam já estar implantados e permanecer fora do pleno entendimento das autoridades norte-americanas.
A frase é particularmente significativa porque aparece dentro de um documento produzido no contexto de um programa de inteligência.
Ainda assim, trata-se de uma hipótese apresentada pelo autor do estudo, e não de uma conclusão oficial de que sistemas extraterrestres tenham sido identificados.
Essa diferença é fundamental.
OVNIs MILITARES SOBRE O ORIENTE MÉDIO
A nova liberação também apresenta registros muito mais recentes.
Um deles descreve um encontro ocorrido no Oriente Médio em 2022.
Militares relataram a presença de objetos que aparentavam ter aproximadamente 1 a 2 metros e que se deslocavam de maneira aparentemente irregular dentro da área observada.
Um vídeo associado ao episódio mostra o objeto registrado por sensores militares.
Outro caso, de 2025, apresenta aproximadamente seis objetos esféricos pequenos.
Segundo o relatório, os objetos pareciam ágeis e mudavam frequentemente de direção.
O incidente permanece classificado como não resolvido.
Isso não significa automaticamente que os objetos fossem de origem extraterrestre.
Significa que, com as informações disponíveis, a investigação não conseguiu determinar definitivamente o que eram.
Essa distinção aparece também na própria estrutura do programa PURSUE: os arquivos publicados correspondem principalmente a casos que permanecem sem uma determinação conclusiva.
QUATRO VÍDEOS REGISTRADOS POR POLICIAIS NO COLORADO
O sexto lote também inclui quatro vídeos encaminhados por autoridades policiais do Colorado.
As gravações foram realizadas em outubro de 2023.
Segundo os registros, o fenômeno observado foi descrito como silencioso, apresentando luzes vermelhas, azuis e verdes piscando.
As imagens foram registradas por celulares.
São registros muito diferentes das antigas fotografias de OVNIs analisadas durante o século XX, mas possuem a mesma característica fundamental: mostram fenômenos que, no momento do registro, não foram identificados de maneira conclusiva.
O ÁUDIO PERDIDO DO PROJETO BLUE BOOK
Entre os materiais históricos, um dos itens mais aguardados é uma gravação de áudio de 1952.
Ela registra uma apresentação do capitão Edward J. Ruppelt, figura importante na investigação oficial de OVNIs da Força Aérea dos Estados Unidos.
war.gov/UFO/release/06/ ouça o áudio aqui.
Ruppelt posteriormente dirigiria o Projeto Blue Book, programa criado para investigar relatos de objetos voadores não identificados.
Na apresentação, Ruppelt descreve o trabalho realizado pela Força Aérea e revela que aproximadamente 20% dos cerca de 800 relatos analisados até aquele momento permaneciam sem explicação.
A gravação fornece uma perspectiva histórica importante.
Décadas antes da atual discussão sobre UAPs, militares e investigadores já reconheciam que uma parcela dos relatos não podia ser explicada satisfatoriamente com os dados disponíveis.
UM CASO DE 1950 PERTO DE OKINAWA
Entre os documentos históricos há também um relato relacionado a um objeto não identificado observado no mar próximo a Okinawa, em novembro de 1950.
Um memorando produzido posteriormente avaliou como impraticável uma solicitação para procurar e tentar recuperar o objeto.
O episódio mostra uma característica recorrente nos arquivos históricos:
muitos relatos eram registrados, avaliados e arquivados sem que fosse possível realizar uma investigação física completa.
Em alguns casos, o fenômeno simplesmente desaparecia antes que os investigadores pudessem chegar ao local.
A ACELERAÇÃO DE 965 VEZES A GRAVIDADE
Outro documento histórico, produzido em 1953 e já anteriormente disponibilizado ao público, também aparece no conjunto relacionado às antigas investigações.
O registro descrevia mudanças abruptas de direção observadas em objetos não identificados e apresentava cálculos de aceleração que chegavam a aproximadamente 965 vezes a aceleração da gravidade.
É um número extraordinário.
Mas existe uma ressalva importante: cálculos desse tipo dependem das estimativas de distância, velocidade, trajetória e outros parâmetros disponíveis aos investigadores.
Portanto, o valor registrado no documento representa uma estimativa associada à análise daquele caso — não uma demonstração independente de que uma nave tenha efetivamente suportado uma aceleração dessa magnitude.
MAIS DE SETE DÉCADAS DE REGISTROS
Uma das características mais interessantes do sexto lote é justamente a mistura de épocas.
Em um mesmo pacote aparecem:
1950 — relatos históricos envolvendo objetos não identificados;
1952 — documentos e áudio do Projeto Blue Book;
1953 — registros sobre movimentos e acelerações extraordinárias;
2008–2012 — documentos relacionados ao AAWSAP;
2010 — estudo sobre possíveis efeitos biológicos;
2022 — registros militares no Oriente Médio;
2023 — vídeos registrados por autoridades no Colorado;
2025 — novos registros militares de objetos esféricos.
O resultado é quase uma linha do tempo da investigação governamental sobre fenômenos aéreos não identificados.
O QUE REALMENTE MUDOU COM A NOVA DIVULGAÇÃO?
Talvez o aspecto mais importante da sexta liberação não seja a existência de uma única fotografia ou vídeo extraordinário.
O conjunto mostra algo mais amplo:
a investigação de fenômenos aéreos anômalos envolveu diferentes órgãos, diferentes períodos históricos e diferentes tipos de pesquisa.
O material inclui desde relatórios de testemunhas até estudos técnicos sobre tecnologias hipotéticas.
Também mostra que algumas questões consideradas hoje modernas — como propulsão avançada, materiais incomuns, efeitos físicos e comportamento de objetos não identificados — já apareciam em documentos governamentais décadas atrás.
Ao mesmo tempo, a documentação disponível não estabelece uma origem única para todos esses fenômenos.
A GRANDE QUESTÃO CONTINUA
A nova leva de arquivos não apresenta uma resposta definitiva para a origem dos UAPs.
O próprio programa oficial reconhece que os casos disponibilizados são, em grande parte, não resolvidos e que a falta de dados suficientes é uma das razões para que uma conclusão definitiva não seja possível.
Mas os documentos acrescentam novas peças a um quebra-cabeça que já atravessa gerações.
Há relatos históricos.
Há registros militares.
Há vídeos.
Há estudos sobre tecnologias que parecem pertencer ao futuro.
Há casos envolvendo possíveis efeitos físicos sobre seres humanos.
E há investigações que permaneceram abertas durante décadas.
O que esses elementos significam em conjunto ainda é uma questão em aberto.
O que mudou, porém, é que parte desse material deixou de permanecer exclusivamente nos arquivos governamentais e passou a estar disponível para análise pública.
E, à medida que novos lotes do PURSUE forem publicados, outras peças desse enorme arquivo histórico poderão finalmente vir à luz.
fontes: newsnationnow
cbsnews
war.gov

