Navegador avistou OVNI no século XVI

UM “ESCUDO DE FOGO” NA PATAGÔNIA CHILENA EM 1580

Casos Ufológicos Casos da América Latina Notícias Notícias Internacionais Relatos Relatos Internacionais

A busca por respostas sobre a existência de fenômenos aéreos inexplicáveis e seus tripulantes não é uma obsessão exclusiva da era moderna. A procura por evidências ufológicas no Passado já demonstrou, por meio de inúmeras fontes e vestígios arqueológicos ao redor do mundo, além de livros e registros antigos, que os fenômenos celestes cruzam nossos céus desde que a própria humanidade existe.

Um dos registros mais fascinantes e documentados dessa longa história aconteceu no final do século XVI, nas águas geladas do extremo sul do continente americano.

Caçando o pirata Francis Drake

Para entender a presença de Pedro Sarmiento de Gamboa naquelas coordenadas isoladas, é preciso voltar aos bastidores da geopolítica da época. Em 1579, o temido corsário inglês Francis Drake havia cruzado o Estreito de Magalhães, saqueando portos e colônias espanholas na costa do Oceano Pacífico.

A resposta da Coroa Espanhola foi imediata e o Vice-Rei do Peru ordenou que Gamboa — um dos maiores intelectuais, cientistas e navegadores do império — liderasse uma frota de perseguição de caráter ultrassecreto. A missão do cosmógrafo era mapear milimetricamente o estreito, estudar a viabilidade de fortificá-lo com canhões e fechar a passagem para impedir que outras nações protestantes invadissem o território espanhol.

Navegador e documento
Pedro Sarmiento de Gamboa e sua obra histórica        Fonte: Internet

Pedro Sarmiento de Gamboa tem um avistamento insólito

No dia 7 de fevereiro de 1580, a expedição avançava com extrema cautela a bordo da nau capitana Nuestra Señora de la Esperanza. Passava das 22 horas quando a calmaria da noite na Patagônia foi rompida por um avistamento coletivo. Conforme registrado meticulosamente por Gamboa em sua obra histórica “Viagem al Estrecho de Magallanes em los años de 1579 y 1580 (publicada posteriormente em 1768), algo completamente anômalo surgiu no horizonte.

“Vimos sair uma coisa redonda, vermelha como fogo, como uma adarga [um escudo de couro], que subia pelo céu…”

O objeto não apenas subia contra o vento de forma imponente acima de uma montanha da Patagônia, como também se transformava diante dos olhos dos tripulantes. Ao atingir o topo da elevação, a misteriosa luz vermelha se estendeu e assumiu a forma geométrica de uma meia-lua, alternando sua luminescência entre os tons descritos de vermelho e branco.

Concepcao Caso 1580 002
Concepção Artística do avistamento na Patagônia chilena                                                  Fonte: Internet

O OVNI nas palavras do navegador

No manuscrito original do diário de bordo, o explorador utilizou termos muito específicos da cultura e do vocabulário do século XVI para tentar dar forma ao inexplicável. As palavras exatas usadas por ele foram:

  • Cosa redonda (Coisa redonda)
  • Colorada como fuego (Vermelha como fogo)
  • Como una adarga (Como um escudo redondo de couro)
  • Media luna (Meia-lua / formato crescente)
  • Bermeja y blanca (Ruiva/avermelhada e branca)

Quem estava na embarcação?

Diferente de relatos isolados que podem ser contestados, o fenômeno da Patagônia foi uma observação militar e científica coletiva altamente qualificada. Além do próprio Pedro Sarmiento de Gamboa, o evento foi testemunhado, validado e registrado por homens de alta confiança do império que comandavam a embarcação. As principais testemunhas nominadas no registro oficial foram:

  • Hernán Alonso: Piloto oficial da nau capitana, um dos navegadores mais experientes e técnicos escalados para guiar a frota por aquelas águas perigosas.
  • Antón Pablos Corzo: Também piloto da mesma embarcação, corresponsável pelos cálculos náuticos, posicionamento geográfico e observação astronômica constante.
  • Juan Gutiérrez de Guevara: O alferes militar da expedição, encarregado de comandar o corpo de soldados a bordo.

Além dessa liderança técnica e militar, o fenômeno foi presenciado por cerca de 60 a 80 pessoas, incluindo marinheiros, grumetes e soldados da Coroa Espanhola que estavam de guarda no convés no momento do avistamento. Como as naus da frota haviam se separado dias antes em uma tempestade, o evento ficou restrito aos homens que operavam especificamente a Nuestra Señora de la Esperanza.

Pavor e mau agouro

O surgimento daquela “meia-lua de fogo” sobre a montanha gelada provocou um impacto psicológico profundo nos homens a bordo. No século XVI, eventos celestes desconhecidos eram interpretados sob uma forte lente religiosa e mística.

A tripulação, exausta pelas tempestades anteriores e pelo isolamento geográfico, foi tomada pelo pavor. Para os marinheiros e soldados, o objeto era um sinal de mau agouro, um aviso divino de que a expedição estava amaldiçoada ou que demônios habitavam aquelas terras inexploradas. Relatos sugerem que muitos caíram de joelhos em oração, clamando por proteção divina, enquanto o próprio Gamboa mantinha a postura de cientista, registrando tudo.

Gravuras históricas do Registro Naval

O grande diferencial deste caso dentro da Ufologia histórica é a existência de provas gráficas contidas na documentação e no diário de bordo original. Gamboa fez questão de documentar milimetricamente o cenário, o comportamento do objeto voador e o mapeamento da região na chamada “Prancha I e II” (Lámina I e II) e em seus anexos cartográficos. O conjunto traz os seguintes elementos fundamentais:

  • Gravura Nº 4: Ilustra a mecânica e as três fases dinâmicas do OVNI — desde a sua subida como um círculo perfeito e escuro até a sua mutação e esticamento final para o formato de crescente sobre o horizonte da montanha.
  • Gravura Nº 5: Um perfil geográfico cirúrgico desenhado pelo navegador para situar o evento em terra, detalhando a silhueta do Morro de Santa Águeda e a Serra Nevada, acompanhado da anotação náutica precisa: “Está esta Punta en 54 grados escasos”.
Gravura NR 04
Gravura nº4 com as três fases do OVNI                                Fonte: Internet
  • Gravura Nº 7: Um diagrama técnico que ilustra as condições meteorológicas locais e a direção das correntes de vento predominantes na noite do avistamento. Esse registro serviu para atestar que o objeto subia de forma estável no céu contra a força do próprio vento, descartando fenômenos atmosféricos comuns da Patagônia.
  • Gravura Nº 8: O registro de triangulação óptica e azimute. Esse gráfico demonstra como os pilotos utilizaram referências em terra (os cumes das serras) e as estrelas guias para traçar a trajetória ascendente da “coisa redonda”, conferindo rigor matemático ao movimento avistado.
  • Gravura Nº 9: Correspondendo ao detalhamento cartográfico avançado da expedição, este gráfico traça a hidrografia e os canais internos adjacentes ao Estreito de Magalhães. Sua função técnica era registrar as profundezas, bancos de areia e as correntes marítimas daquela exata “punta”, oferecendo uma visão tática e naval que complementava a figura 5. Registraram também uma estrela cadente branca e azul que chamaram de “Exhalación”.

Gravura NR 09

O Legado do Caso

O avistamento de 1580 permanece como um dos pilares mais robustos da presença de OVNIs na América do Sul em séculos passados. Ele prova que os registros de objetos que desafiam a física de sua época não nasceram depois de 1947 mas, muito antes. Há quase 450 anos, homens do mar, militares e cientistas renomados da Coroa Espanhola já olhavam para o céu da Patagônia chilena com o mesmo espanto e perplexidade que sentimos hoje. Afinal, os fenômenos ufológicos continuam ocorrendo por lá na atualidade…

Autor

  • IMG 8795

    Ufólogo desde 1981, jornalista, escritor e apresentador do programa no YOUTUBE: canal “Edison Boaventura”. Fundador e atual presidente do GUG – Grupo Ufológico de Guarujá. Também é editor da Revista UFOLÓGICA. Atua como vice-presidente da ANUBIS - Agência de Ufologia Nacional e Internacional. Possui diversos trabalhos publicados em revistas, jornais e periódicos de vários países. Realizou e participou de vários congressos nacionais e internacionais. Participou de vários programas de televisão, rádio e podcasts nacionais e internacionais. Como pesquisador adota a linha científica de investigação, tendo investigado centenas de casos de abdução, pousos e contatos com OVNIS, inclusive casos clássicos brasileiros. Viajou para mais de 20 países para investigar o fenômeno UFO. Atualmente é especialista em documentos oficiais e na atuação de militares em importantes casos ufológicos.
    Instagram - @edisonboaventura

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *