A NOITE EM QUE UM TAXISTA ENTROU EM UMA NAVE

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O Relato do Taxista Maurílio Braga Godoi

Santo Amaro, São Paulo (SP) — 2 de novembro de 1954

Horário: 00h30


Por Diego Rodrigues

Entre os inúmeros relatos ufológicos brasileiros da década de 1950, poucos chamam tanta atenção quanto o testemunho do taxista Maurílio Braga Godoi, ocorrido no bairro de Santo Amaro, em São Paulo.

O caso ganhou notoriedade não apenas pela riqueza de detalhes, mas principalmente porque, segundo o pesquisador Dr. Fontes, o relato teria sido divulgado oficialmente pelo Coronel Adil de Oliveira, então chefe do Grupo de Pesquisas sobre OVNIs da Força Aérea Brasileira.

Na ocasião, durante uma coletiva de imprensa, o Coronel foi entrevistado pelo jornalista Milton Salles, da revista Revista da Semana, onde o caso seria publicado algumas semanas depois.

Segundo o comunicado oficial, a Força Aérea havia recebido esse extraordinário relato vindo da cidade de São Paulo, mantendo-o em sigilo durante algum tempo.

A testemunha era o taxista Maurílio Braga Godoi, cujo depoimento teria sido registrado literalmente.

O depoimento

“Na madrugada de 2 de novembro de 1954, por volta das 00h30, deixei o terminal de bondes de Santo Amaro e comecei a caminhar em direção à minha casa. Naquele horário, como de costume, o local estava completamente deserto.

Quando cheguei à Rua Andaguara, fiquei assustado ao avistar um objeto circular e luminoso, medindo aproximadamente entre 30 e 40 metros de diâmetro, envolto por um estranho brilho azul-avermelhado, quase violeta.

A luz era suave e difusa, parecendo emanar de toda a periferia do objeto, que estava pousado sobre um terreno plano.

Movido pela curiosidade, resolvi aproximar-me para investigar.

Conforme caminhava, percebi que aquele estranho objeto era muito maior do que havia imaginado inicialmente. Tratava-se de uma máquina gigantesca.

Parei por alguns instantes, tomado pelo medo, Pensei em fugir imediatamente e avisar alguma autoridade. Tentei correr e não consegui, tentei gritar por ajuda mas nenhuma palavra saiu da minha garganta.

Era como se uma força me mantivesse completamente paralisado. Depois de alguns momentos, aquela estranha sensação desapareceu. Decidi então examinar o objeto mais de perto. Eu estava a aproximadamente 20 metros dele e toda minha cautela havia desaparecido”.

O interior da nave

Aproximando-me, percebi que havia uma porta aberta em uma das laterais — parecia uma porta deslizante. Sem pensar duas vezes, entrei na nave.
Hoje não consigo dizer se subi uma escada ou utilizei algum outro tipo de acesso. Encontrei uma grande sala circular, iluminada por uma luz extremamente suave e difusa.
Não consegui identificar de onde vinha aquela iluminação, o ambiente parecia completamente vazio.
No centro havia uma mesa de formato incomum e, atrás dela, algo semelhante a uma cadeira, sobre essa mesa estavam vários gráficos e mapas.
Um deles imediatamente chamou minha atenção por emitir um brilho fosforescente, reconheci tratar-se de um mapa da América do Sul, aproximei-me para examiná-lo e não havia qualquer escrita visível e apenas símbolos espalhados pelo mapa.
Esses símbolos lembravam pequenos cogumelos.
Passei um bom tempo tentando encontrar algum padrão entre aquelas marcações, mas não consegui compreender seu significado.

O encontro

Quando terminei de observar o mapa, levantei a cabeça…e congelei, eu não estava mais sozinho. Três seres encontravam-se diante de mim. Digo “seres” porque possuíam aparência humanoide.
Eram, porém, menores que um homem comum, medindo menos de 1,50 metro de altura, possuíam pele de tonalidade bronzeada escura, seus cabelos eram negros e extremamente curtos.
Vestiam uma única peça semelhante a um macacão, de cor cinza-clara, não consegui identificar zíperes, botões ou qualquer tipo de costura aparente.
Todos utilizavam um cinto, no qual havia um objeto estranho preso à cintura, semelhante ao que imaginei ser algum tipo de arma.

A estranha comunicação

Os três seres não possuíam uma aparência agradável, seus rostos demonstravam claramente que eu estava sendo cuidadosamente examinado.

Eu continuava completamente imóvel, não conseguia falar, eles começaram a conversar entre si e não compreendi absolutamente nada do idioma, porém percebi uma característica muito curiosa, diversas palavras começavam repetidamente com um som semelhante à letra “K”, muito mais frequente do que qualquer outro som.

A fuga

Permaneci completamente dominado pelo terror ,esqueci que poderia tentar conversar ou demonstrar que não tinha intenções hostis.
Enquanto isso, os três seres continuavam apenas observando meu corpo e conversando entre si. Nenhum deles se aproximou, nenhum deles fez qualquer movimento brusco.
De repente percebi que estava recuando lentamente, caminhando para trás, sem desviar os olhos daqueles pequenos seres.
Eles não tentaram impedir minha saída,nem fizeram qualquer tentativa de me capturar, atravessei rapidamente a porta.

Saltei para o solo , corri o mais rápido que pude. Quando estava a aproximadamente 10 metros da nave, olhei para trás, o objeto encontrava-se suspenso a cerca de 10 metros do chão.

Em sua parte inferior havia uma estrutura circular giratória, semelhante a um enorme parafuso sem fim.

Em completo silêncio, a nave começou a subir rapidamente.

Mais uma vez observei o estranho brilho azul-avermelhado ou violeta envolvendo toda a periferia da máquina.

A avaliação do Dr. Fontes

Após apresentar o depoimento, o Dr. Fontes acrescenta que o Coronel Adil de Oliveira recusou-se a emitir qualquer opinião pessoal sobre o caso.

Limitou-se a afirmar que aquele era apenas um entre muitos relatos intrigantes arquivados pela Força Aérea Brasileira.

Segundo Fontes, o parecer final dos especialistas da FAB jamais foi tornado público.

Apesar disso, o pesquisador manifesta seu ceticismo:

“O relato do Sr. Godoi parece muito bem elaborado, mas não acredito nessa história extraordinária.

Posso estar enganado, mas tenho a impressão de que ela está relacionada aos relatos de George Adamski e Daniel Fry.

Existem diversos detalhes extremamente semelhantes entre as três narrativas.

Lembro que, em 23 de outubro de 1954, a revista O Cruzeiro publicou uma matéria sobre o caso Adamski — apenas dez dias antes do avistamento relatado por Godoi.

Depois, em 30 de outubro de 1954, a mesma revista publicou o caso de Daniel Fry — somente dois dias antes do suposto encontro.

Não gosto desse tipo de coincidência.”

Fonte : The Brazilian UFO Review
Parte VI – The UFO Season
Rascunho original das notas do Dr. Fontes, posteriormente doadas ao pesquisador Robert Gribble, atualmente preservadas na coleção particular do autor.

biblioteca do arquivo nacional : https://hemeroteca-pdf.bn.gov.br/025909/per025909_1954_00051.pdf pagina 52

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