No meio dos anos 1990, Guarabira, no Brejo paraibano, passou a ser associada a um dos episódios mais comentados da ufologia brasileira. Entre 1996 e 1997, moradores da cidade e de localidades vizinhas, como Pilõezinhos e outras áreas da região, relataram uma sucessão de aparições de luzes, objetos luminosos e supostos aparelhos voadores de formas variadas, em um fenômeno que ficou conhecido localmente como a “capital dos discos voadores”.
A intensidade dos relatos foi tamanha que a cidade deixou de tratar o assunto como curiosidade isolada e passou a vivê-lo como parte do cotidiano. Segundo os depoimentos reunidos na entrevista, o período de maior concentração das aparições ocorreu em março de 1996, quando houve o que os entrevistados chamaram de “a grande invasão”. Naquela ocasião, o número de avistamentos teria crescido de forma incomum, provocando medo, fascínio e uma mobilização coletiva que tomou conta de ruas, rádios, grupos de pesquisa e até de emissoras de televisão de fora da Paraíba.

O auge das aparições
Os relatos apontam que os fenômenos variavam muito de um dia para o outro. Em alguns casos, as testemunhas descreveram luzes avermelhadas que se transformavam em tons alaranjados e, em seguida, em um verde cintilante. Em outros, as aparições surgiam como bolas vermelhas, objetos com aspecto de grade, formas triangulares e até estruturas comparadas a lâmpadas fluorescentes ou fogões acesos à distância.
Uma das testemunhas narra uma experiência vivida em um ponto elevado da cidade, de onde, segundo ela, foi possível observar uma luz no horizonte que parecia um incêndio em um canavial. O detalhe, porém, era que não havia canavial naquele local. A luz, descrita como enorme e avermelhada, teria mudado de cor até desaparecer, deixando a impressão de algo completamente incompreensível para os observadores.
Outro depoimento fala de uma luz muito forte que avançou em direção ao grupo, parou, emitiu três sinais e sumiu em velocidade impressionante. Em nenhum momento, segundo os entrevistados, o comportamento do objeto lembrava o de um avião convencional. O movimento seria lento, silencioso e “como se estivesse dentro da água”, sem o impacto do vento ou a lógica de deslocamento de uma aeronave comum.
O clima na cidade
A entrevista mostra que os avistamentos não ficaram restritos a um pequeno grupo de curiosos. Ao contrário: a população de Guarabira, inicialmente desconfiada, passou a acompanhar os relatos com crescente atenção. Em pouco tempo, o medo e o encantamento dividiram espaço nas conversas de rua, nas casas e nas madrugadas da cidade.
Segundo os entrevistados, o momento mais marcante para muitos moradores foi justamente o período do apagão, quando a falta de energia teria aumentado o número de observações. Com o céu mais escuro e a cidade aglomerada no centro, a população passou a enxergar os objetos com maior frequência. Um dos relatos estima que cerca de 30% dos 60 mil habitantes da época tenham visto algum fenômeno durante aquele surto de aparições.
Houve ainda um aspecto simbólico importante: cada objeto que cruzava o céu provocava reação imediata nas pessoas, com aplausos, gritos e correria. O espanto era acompanhado por um sentimento de impotência, porque não havia explicação oficial nem qualquer ação efetiva da segurança pública capaz de esclarecer os fatos.
A mobilização da imprensa e dos pesquisadores
O episódio não demorou a chamar atenção da imprensa regional e nacional. A entrevista menciona a presença de emissoras de fora da Paraíba e destaca a repercussão no programa Fantástico, da Globo, que ajudou a tornar Guarabira conhecida em todo o país como a “capital do disco voador”.
Além da imprensa, grupos de pesquisa ufológica também se organizaram na cidade. Os entrevistados explicam que a curiosidade sobre ufologia começou de forma isolada, entre pessoas interessadas no tema, e acabou resultando na formação de uma equipe local de investigação. A proposta era realizar vigílias e pesquisas de campo para registrar objetos voadores não identificados, primeiro em Guarabira e depois em cidades vizinhas onde os boatos e os relatos também cresciam.
Com o tempo, o grupo passou a registrar imagens, ainda que, no início, muitos dos registros pudessem ser confundidos com aviões, postes, vagalumes ou outros objetos comuns. A própria entrevista mostra esse processo de aprendizado, marcado por dúvidas, revisões e pela gradual perda de ceticismo de alguns integrantes.
A noite que marcou a cidade
Entre os vários episódios lembrados, um dos mais citados pelos entrevistados é o da noite de 2 para 3 de março de 1996, descrito como um momento de forte impacto coletivo. Houve, segundo os relatos, dezenas de objetos no céu, com diferentes formas e intensidades luminosas, observados inclusive em meio ao apagão. O número de aparições teria sido tão elevado que os próprios integrantes do grupo de pesquisa precisaram se dividir para tentar acompanhar tudo ao mesmo tempo.
Outro caso apontado como inesquecível ocorreu em 14 de outubro de 1996, às 23h40, quando uma nave triangular, enorme e silenciosa, teria passado sobre a cidade. O objeto foi descrito como coberto de luzes na parte inferior, com aparência metálica e emissão de uma fumaça fina que lembrava um véu. Os depoimentos afirmam que ele não produzia barulho nem cheiro, e que parecia flutuar como se estivesse sobre uma onda, sem o comportamento esperado de uma aeronave convencional.
Há também referência a uma aparição anterior, por volta das 17h, de um objeto grande, pontudinho na frente, com luzes coloridas, aparência bronzada e duas estruturas que lembravam turbinas ou antenas parabólicas. O objeto, segundo o relato, movia-se de maneira oscilante, “como se estivesse na onda do mar”, flutuando acima da cidade sem qualquer ruído.

Entre o medo e o encantamento
O tom da entrevista é revelador porque mostra que a experiência não foi vivida apenas como um mistério ufológico, mas também como um fenômeno social. Parte da população temia uma invasão; outra parte via beleza nas aparições; e os pesquisadores, mesmo os mais céticos, acabaram confrontados com algo que já não podia ser facilmente descartado como imaginação coletiva.
Há um momento especialmente forte nos depoimentos em que uma testemunha conta ter se sentido “estático” diante da aproximação de um objeto muito baixo, tão próximo que pareceria possível atingi-lo com uma pedra. O detalhe reforça a sensação de proximidade física e de estranhamento diante de algo que fugia completamente à experiência cotidiana dos moradores.
O mais curioso é que, em vários trechos, os entrevistados insistem que a grande força do episódio estava justamente na repetição: não era uma única aparição isolada, mas uma sequência de eventos, em diferentes pontos da cidade e da zona rural, ao longo de meses. Isso ajudou a consolidar a fama de Guarabira e a transformar a memória daquele período em uma espécie de capítulo permanente da história local.

Investigação Jornalística em Guarabira
Na apuração sobre a onda de aparições que marcou Guarabira nos anos de 1996 e 1997, o jornalista e pesquisador Marco Aurélio Leal esteve na cidade para investigar os relatos de moradores e testemunhas. Integrante da equipe que trabalhou na série De Carona com os OVNIs, exibida no History Channel, Leal visitou Guarabira ao lado de Fred Morsch, apresentador da produção. Durante a passagem pela cidade, ele registrou em vídeo pessoal depoimentos de moradores que afirmam ter presenciado os acontecimentos da época, contribuindo para preservar relatos diretos sobre um dos episódios mais comentados da ufologia brasileira.
Esse trabalho acrescenta uma dimensão documental importante ao caso, porque liga a memória oral da cidade a uma investigação audiovisual realizada no próprio local dos fatos. O registro em vídeo ajuda a manter vivas as vozes de quem acompanhou o fenômeno de perto, em um momento em que a cidade se via cercada por relatos, incertezas e pela curiosidade de pesquisadores de várias partes do país.

O que ficou na memória
Mesmo décadas depois, os depoimentos mostram que a onda de 1996 e 1997 continua viva na lembrança dos moradores. Para uns, foi um marco ufológico raro no Brasil. Para outros, uma experiência que misturou medo, curiosidade e uma sensação de descoberta coletiva. Há também quem veja no episódio uma lição humana: a de que, diante do desconhecido, a população se une, observa, pergunta e tenta encontrar sentido para o que não entende.
Na entrevista, os participantes afirmam que ainda hoje surgem relatos esparsos na região, embora sem a mesma intensidade do passado. Mesmo assim, o período ficou registrado como uma fase singular, em que Guarabira virou notícia nacional, recebeu equipes de televisão, mobilizou grupos de pesquisa e viveu noites em que o céu parecia contar outra história.
Confira as entrevistas no vídeo a seguir: Fonte Canal Marco Leal
1996 na PARAÍBA: quando os OVNIS tomaram conta do céu.
Exibição no programa Fantástico da rede Globo
Na época, Guarabira foi destaque em diversas reportagens de jornais e programas de televisão. Confira abaixo a reportagem exibida pelo Fantástico em 1996. O vídeo é um registro histórico que mostra como a população reagiu diante da suposta invasão de OVNIs na cidade.

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