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• Há 30 anos, piloto que contornou OVNI de 70 metros sobre a Lagoa dos Patos relembra avistamento

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Editedimage 1786819625603Haroldo Westendorff  e seu monomotor Embraer EMB-712 Tupi

Em 5 de outubro de 1996, Haroldo Westendorff orbitou por cerca de 20 minutos um objeto octogonal confirmado pela torre de controle de Pelotas (RS). Três décadas depois, ele repete o relato sem mudar uma vírgula: “Eu era o piloto certo na hora certa.”

05 de outubro de 2026


Neste 5 de outubro de 2026 completam-se 30 anos do avistamento que se tornou um dos casos mais conhecidos da ufologia brasileira. Na manhã de sábado, 5 de outubro de 1996, por volta das 10h, o empresário e piloto Haroldo Westendorff, então no comando de seu monomotor Embraer EMB-712 Tupi (prefixo PT-NTH), avistou e orbitou um gigantesco objeto octogonal sobre a Lagoa dos Patos e a Ilha da Saragonha, em Pelotas (RS). O episódio, confirmado pelos operadores da torre de controle do aeroporto local, logo projetou o aviador gaúcho às manchetes da imprensa nacional e estrangeira.

Um cético formado nos céus

A solidez do relato repousa sobre uma carreira forjada rigorosamente sob as exigências técnicas da aviação civil. Westendorff começou a voar aos 15 anos de idade. Conquistou a carteira de Piloto Privado aos 17, a de Piloto Comercial aos 19 e a de Piloto de Linha Aérea aos 20, realizando voos de adaptação em gigantes históricas como a Varig e a Cruzeiro do Sul.

Em mais de quatro décadas nos cockpits, acumulou cerca de 14 mil horas de voo distribuídas entre a aviação desportiva e o transporte executivo corporativo. Por sua cabine passaram passageiros conhecidos nacionalmente, incluindo o ex-presidente Fernando Collor de Mello. Como instrutor qualificado em acrobacia aérea com cursos básico, intermediário e avançado concluídos nos Estados Unidos e no Canadá , chegou a voar como tripulante convidado em um caça supersônico F-15 Eagle, rompendo a barreira do som a Mach 1,2, cerca de 2.300 km/h.

Esse histórico sedimentou um ceticismo prático e profissional. Em sua juventude, mencionar termos como “disco voador” dentro de uma escola formal de pilotagem resultava em censura disciplinar imediata. Em 1996, enquanto a imprensa mundial cobria os desdobramentos do Caso Varginha, Westendorff mantinha-se completamente alheio ao tema.

“Que balão é aquele em cima do Laranjal?”

Na véspera daquele sábado, o piloto havia transportado três passageiros de Pelotas para Porto Alegre, pernoitando na capital do estado. No dia 5 de outubro, decolou do aeroporto Salgado Filho por volta das 8h, estabilizando no nível 5.000 pés (cerca de 1.500 metros de altitude), em uma rota estimada de 1h15 até o retorno ao solo pelotense.

As condições meteorológicas eram perfeitas, sob céu inteiramente límpido — “sol pleno e céu de brigadeiro”, no tradicional jargão da aviação. Ao aproximar-se da descida, notou uma silhueta volumosa pairando sobre o Laranjal, conhecido balneário às margens da lagoa. O piloto acionou o rádio e indagou os controladores: “Que balão é aquele em cima do Laranjal?”

A resposta vinda do solo foi taxativa: não havia autorização de tráfego para balões meteorológicos ou esportivos naquele setor. Diante da persistência visual da massa anômala, o aviador insistiu na frequência: “Peguem o binóculo e olhem aí.” Da torre, os controladores apontaram os instrumentos ópticos e confirmaram o espanto: o tráfego era real, sólido e inteiramente desproporcional a qualquer aeronave conhecida.

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Arte restaurada por Marco Aurelio Leal

O octógono de latão enferrujado

Ao encurtar a distância para examinar o fenômeno, Westendorff deparou-se com uma colossal estrutura octogonal simétrica de oito faces. A estrutura media cerca de 70 metros de altura vertical e 100 metros de diâmetro transversal, ostentando uma superfície opaca de tonalidade semelhante ao bronze envelhecido ou “latão enferrujado”. O vértice superior exibia uma cúpula fechada e arredondada, enquanto o perímetro apresentava reentrâncias bojudas comparadas por ele às bolhas de vidro traseiras do Fusca.

A massa aérea deslocava-se rumo ao oceano aberto a lentos 60 nós (aproximadamente 100 km/h), executando uma rotação contínua e cadenciada no sentido anti-horário. A velocidade reduzida obrigava o Tupi a operar no limiar perigoso de pré-stall para sustentar o acompanhamento visual. Por cerca de 20 minutos, Westendorff orbitou a estrutura ao redor da vertical da Ilha da Saragonha, alternando subidas e descidas para checar minuciosamente cada ângulo do aparelho.

A operação manteve-se sob fonia ininterrupta com a Rádio Pelotas e com o Cindacta II (Centro Curitiba), com o transponder da aeronave configurado no código 340. Embora os radares militares rastreassem nitidamente o sinal do monomotor, a imensa massa não gerava resposta nos consoles de terra. “Não, não está no sistema”, informou o controlador ao comandante. Ao avaliar as proporções, Westendorff relativizou: “Não é uma nave-mãe tão grande. Um porta-aviões tem 400 metros de comprimento. É um porta-aviões de porte pequeno.”

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Arte restaurada por Marco Aurelio Leal

Os discos que não voltaram

Durante a terceira ou quarta volta ao redor do objeto, a cúpula do topo retraiu-se suavemente. Do compartimento recém-aberto emergiram dois discos menores de geometria clássica, com superfície amarelada e sem reflexo luminoso — associados por ele, de maneira bem-humorada, à emblemática “Brasília amarela” da banda Mamonas Assassinas.

Posicionadas em uma inclinação calculada de 45 graus, as duas naves menores aceleraram em linha reta rumo às camadas altas do espaço em fração de segundos. O aviador estimou a velocidade de subida em ao menos Mach 10 (cerca de 12.000 km/h), parâmetro derivado de sua própria vivência no caça supersônico F-15. “Os porta-aviões largam os caças por catapultas, e os caças voltam. Esses disquinhos não voltaram. Foram embora”, recorda ele.

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Arte restaurada por Marco Aurelio Leal

Movido pelo instinto de instrutor acrobático, Westendorff cogitou realizar um meio-tonel imediatamente sobre a cavidade aberta, acelerando entre 140 e 150 nós. Desistiu de imediato ao notar rajadas intensas de feixes verticais em cor vermelho-bordô brotando do orifício: “Opa, aí não é para mim.” Segundos depois, a própria nave-mãe disparou em ascensão vertical absoluta, perfurando a camada de nuvens a 10.000 metros de altitude e deixando uma abertura perfeitamente circular no manto atmosférico.

Na descida de regresso, sobreveio o imprevisto mecânico: a propulsão do monomotor começou a tossir e engasgar. Devido à sequência de curvas e variações bruscas de atitude, o tanque de combustível selecionado havia esgotado. Westendorff rapidamente chaveou a seletora para o reservatório cheio, armou a bomba auxiliar elétrica de combustível e completou aterrissagem em segurança em Pelotas.

A torre confirmou — e o Brasil soube

Ao ingressar no pátio de estacionamento, o piloto encontrou a área externa do terminal tomada por repórteres da RBS TV, Rádio Tupanci e Rádio Cultura, acionados após escutas das frequências do tráfego aéreo local. Precavido quanto ao impacto de sua declaração, Westendorff condicionou seu pronunciamento à transparência do órgão de controle: “Eu não vou falar se vocês não confirmarem. Porque eu já sou considerado meio maluquinho.”

A chefia imediata da torre contatou as instâncias superiores do Departamento de Aviação Civil (DAC) em Porto Alegre, obtendo chancela formal de um coronel de plantão: “Se vocês quiserem falar, falem.” Diante das câmeras e gravadores, operadores de rádio e funcionários do aeródromo corroboraram integralmente os contornos do avistamento.

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Airton Mendes da Silva – Operador da infraero

O relato ganhou força imediata com depoimentos colhidos no mesmo perímetro. O aposentado Gilberto dos Santos, experiente ex-fiscal de pista do aeroporto, conf

irmou ter observado uma “sombra muito grande… o tamanho de um estádio de futebol”, parada nos céus por três minutos antes de desaparecer: “O que eu vi, eu vi. Isso aí eu vou afirmar o resto da minha vida.” Outro operador em terra relatou a silhueta de um triângulo com topo arredondado estático de 10 a 15 minuto

Em meio às manobras nos céus, o antigo telefone celular do comandante — um Motorola PT 550 — havia tocado na cabine: era seu filho, então aos 12 anos de idade. Ao escutar do pai que ele estava orbitando um disco voador em tempo real, o garoto limitou-se ao desdém infantil: “Deixa de bobagem, pai.

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Gilberto Santos – Fiscal de pista aeroporto de Pelótas

A repercussão estourou em âmbito nacional e internacional. O episódio rendeu reportagem de capa na revista Veja, blocos temáticos no Globo Repórter e Fantástico, participações no Programa do Jô e Programa do Ratinho, além de convites para congressos em Brasília, Acapulco, Memphis e Lisboa. O piloto preservou uma postura sóbria ao longo dos anos: “Nunca gastei um centavo, nunca ganhei 1 centavo com isso. O que tu recebes de graça, tu tens que passar de graça.”

Cerca de três anos depois do caso, durante sua estada técnica na cidade de Memphis, Westendorff relata ter sido abordado por dois agentes portando credenciais funcionais da CIA e do FBI. Conduzido a uma sala reservada, segundo ele, foi colocado diante de um dossiê fotográfico nítido — com imagens que “hoje diríamos em 4K” — mostrando exatamente o mesmo octógono metálico registrado nos céus de Chicago, Nova York, Boston, Canadá e Europa Ocidental, sem qualquer caráter de ameaça ou coerção.

Trinta anos depois, a mesma história

Em agosto de 2026, Westendorff subiu ao palco de um auditório lotado na capital gaúcha durante o simpósio Visões do Desconhecido, a convite de Fred Morsch — idealizador da produção documental De Carona com os OVNIs — e de pesquisadores civis como Marco Aurélio Leal, Rony Vernet e Arthur Sérgio Neto. Aos 68 anos, com três filhos criados, netos e bisneto, o aviador permanece plenamente apto e ativo nas pistas, amparado pela regulamentação da aviação civil que autoriza voos até os 75 anos de idade.

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Haroldo Westendorff relatando a sua experiencia no evento Visões do Desconhecido

Passadas três décadas, os detalhes técnicos, vetores e medidas apresentados pelo comandante mantêm a mesma coerência estrutural de outubro de 1996: “Eu sempre vou contar a mesma história, porque eu não tenho o que mentir.” Para o piloto, a extensa bacia da Lagoa dos Patos opera como uma espécie de corredor natural ou interdimensional de passagem.

Com a tranquilidade de quem conhece a rotina dos céus, o aviador encara o porvir sem hesitação: “Quem sabe eles chegam para se apresentar. Eu quero conversar com eles sem medo.” Para encerrar sua exposição perante os pesquisadores em Porto Alegre, Westendorff sintetizou sua certeza inabalável: “Senhores, o que eu passo para vocês é o seguinte: nós não estamos sozinhos nesse mundo.”

Marco Leal com Haroldo Westendorff em Agosto de 2026

Marco Leal com Haroldo Westendorff em Agosto de 2026

 

Confira um trecho do relato no link a seguir  – O Piloto que Orbitou uma Nave de 100 Metros por 20 minutos em Pelotas

Autor

  • Marco Leal

    Marco Aurélio Leal é produtor audiovisual e investigador jornalístico de campo, especializado na documentação de casos ufológicos. Foi produtor do documentário Moment of Contact – Caso Varginha (2022), dirigido por James Fox, e também atua na produção da continuação do projeto, Moment of Contact New Revelations of Alien encounters (2025).

    Contribuiu para diversas produções televisivas, incluindo a série De Carona com os OVNIs (History Channel), Não Identificado: A Busca pelo Contato (Discovery Channel) e Chasing UFOs (National Geographic) . Seu trabalho é marcado pela pesquisa de campo, realizando expedições pelo Brasil e pelo exterior para registrar depoimentos e coletar informações sobre fenômenos ufológicos.

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